Belém tem o quarto pior saneamento básico do País
Belém tem o quarto pior saneamento básico do País

Conclusão está em estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental

Passagem: Professora Antônia Nunes . Bairro de Fátima . a população sofre com a falta de saneamento.

Belém desponta como uma das regiões mais carentes do País quanto aos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e de coleta de resíduos sólidos. Se considerar apenas as capitais brasileiras, Belém é a quarta mais distante da universalização desses serviços básicos para todos os habitantes, somente a frente dos quadros anotados em Porto Velo (RO), Teresina (PI) e Macapá (AP). É o que aponta Ranking da Universalização do Saneamento 2019 divulgado ontem pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), que avalia a situação das cidades com mais de 100 mil habitantes a partir dos dados enviados ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do governo federal.

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A colocação é a mesma do ranking do ano anterior. Segundo o levantamento, a coleta de esgoto é uma realidade para apenas 12,99% da população belenense – terceiro pior cenário dentre todas as capitais, superando somente Porto Velho (4,58%) e Macapá (10,17%). Esgoto tratado é uma exclusividade de 0,98% dos domicílios. Neste item, nenhuma outra cidade tem um cenário de precariedade tão alarmante. Para efeito de comparação, Porto Velho que tem a segunda menor cobertura, tem percentual três vezes maior que Belém: 3,19%.

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Na rua Juscelino Kubitschek, em Outeiro, a população sofre com a falta de saneamento.

Além destes indicadores, a pesquisa afere ainda que o abastecimento de água atinge 71,27% dos moradores de Belém (4ª menor margem dentre as capitais) e a coleta de resíduos sólidos é um serviço básico disponível para 95,99% (terceiro pior índice). Com esses resultados, a pontuação média de desempenho da capital paraense é de 281,22 (da pontuação máxima de 500 pontos), acima, apenas, dos resultados de Porto Velho (137,74), Teresina (228,78) e Macapá (270,10). A pontuação é a soma da nota obtida nos cinco indicadores avaliados pela Abes: abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto, coleta de resíduos sólidos e destinação adequada de resíduos sólidos.

O ranking 2019 foi elaborado com dados de 2017, por causa da defasagem de dois anos entre a coleta e a divulgação pelo Ministério das Cidades.

Na outra ponta, Curitiba (PR) é a capital com o melhor resultado no levantamento, com média quase duas vezes superior ao desempenho belenense: 499,99. A cidade é a única classificada na categoria rumo à universalização. De todos os critérios avaliados no ranking, o único que não atingiu pontuação máxima é o de coleta de esgoto, que alcançou margem de 99,99%.

Belém está no grupo de empenho à universalização junto a outras 15 capitais. Outro grupo de nove capitais alcançaram pontuação e estão classificadas como com “compromisso com a universalização” e, Porto Velho, é a única na categoria de “primeiros passos para a universalização”. O estudo foi apresentado oficialmente ontem (17), no 30º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que acontece até a amanhã (19), no Centro de Convenções de Natal (RN).

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Av. Alcindo Cancela com Mundurucus . Bairro da Cremação 

Considerando todos os municípios com mais de 100 mil habitantes, Belém só surge na posição 137 dentre aqueles anotados como empenhados para universalização dos serviços básicos para a população. Altamira é o único município paraense com pontuação um pouco acima da de Belém. Na 94ª colocação desse ranking, o índice do município é de 351,48 pontos, com 33,30% da população com atendimento de água e coleta de esgoto; 84,88% com coleta de resíduos sólidos; e 100% de esgoto tratado e com destinação adequada dos resíduos sólidos.

Em 150º lugar, Parauapebas (223,23) possui 90% dos moradores com abastecimento de água; 15,27% com coleta de esgoto; 22,96% com tratamento de esgoto; e 95% com coleta regular de resíduos sólidos, no entanto sem (0%) destinação adequada destes resíduos. Outros quatro municípios do Pará surgem entre os sete piores no ranking de universalização do saneamento 2019.

Barcarena tem o inglório título de município de médio e grande porte com o pior saneamento básico do País. A coleta de resíduos sólidos só alcança 58,69% da população do município e o abastecimento de água somente 26,47%. A coleta de esgoto cobre 9,90% dos domicílios, enquanto o tratamento de esgoto e a destinação adequada de resíduos sólidos são inexistentes (0,0%). Em uma escala de pontuação de 0 a 500, Barcarena registrou apenas 95,06 pontos – único do País abaixo dos 100 pontos.

Uma posição depois aparece Marabá, com 35,08% de cobertura de abastecimento de água; 0,50% de coleta de esgoto; 0,29% de tratamento de esgoto; 79,16% de coleta de resíduos sólidos; e 0,0% destinação adequada de resíduos sólidos. Em pontos, o município alcançou a média de 115,03.

Santarém também aparece nesse inglório ranking, na quinta posição, com 163,78 pontos; e Paragominas, em sétimo, com 178,20 pontos. Outros dois municípios de pequeno porte também são citados no estudo: Canaã dos Carajás (315,11 pontos) e Santa Bárbara do Pará (198,80).

Fonte : Oliberal

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